domingo, 9 de dezembro de 2012

OUTRO TEXTO QUE ABORDA A BI SEXUALIDADE...


“…e eu gosto de meninos e meninas..” – A Bissexualidade na sociedade

Texto de: * Giselle Jacques, jornalista, cineasta, escritora e autora do livro de temática gay A Casa da Montanha (contato: thendara@gmail.com)
Fonte: Blog Subvertendo Convenções
Estava eu conversando dia desses sobre bissexualidade e o assunto me chamou a atenção, dadas as conjunturas sociais comumente aceitas. É, aceitas! Parece incrível, mas a bissexualidade é menos rejeitada socialmente do que a homossexualidade propriamente dita.
Segundo a Wikipédia, bissexual é aquele indivíduo que sente “atração física e emocional por pessoas tanto do mesmo sexo quanto do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual”. Ou seja, meninos e meninas que gosta de meninas e meninos. Confere?
Todavia, em termos “morais”, mesmo tendo atração pelo mesmo sexo em boa porcentagem das vezes, uma pessoa bissexual não é vista como uma aberração tão assustadora, ou tão diabólica, quanto o homossexual. E isso é histórico. Explico: Era comum aos senhores de terras manterem suas esposas e suas amantes, mas também seus “escravos de alcova” para diversão. Ninguém reclamava. Era comum gregos e romanos, casados e pais, terem efebos sob sua proteção, ou seja, meninos a quem educavam e com quem mantinham relações homoafetivas. No oriente médio, grandes marajás (ou algo do tipo) mantinham mulheres e homens em seus haréns. Ninguém os chamava de veados. Essa “vista grossa” ainda perdura, de certa maneira. Uma espécie de concessão velada a práticas ditas amorais.
No que diz respeito a mulheres, a hipocrisia social vai bem mais longe. Alguns autointitulados especialistas até afirmam que todas as mulheres tem um quê homoerótico e que, assim, a bissexualidade feminina é latente. Menina beijar menina pode, em festas e ambientes socialmente favoráveis. Os meninos até gostam, não é verdade? Numa transa a três, é permitido e incentivado que as meninas se toquem. Afinal, é um joguinho inofensivo, e elas acabam mesmo transando com o menino.
Até pra sair do armário as pessoas ainda usam a tática de “Mãe, pai, eu sou bi”. A tendência pelos dois gêneros é um atenuante ao “Mãe, pai, eu sou gay”. Cansamos de ver garotos que tentam e tentam se relacionar com garotas, ou garotas que se esforçam por gostar de garotos. Não seria isso uma autorrepressão? Não seria quase “homofobizar-se”? É mesmo necessário se passar por bissexual? Qual o limite verdadeiro entre o bi e o homo? Como explicar a um/uma adolescente que ele/ela pode, sim, gostar de ambos os sexos?
O próprio Relatório Kinsey classificou o total da população americana entre 60 e 70% de bissexuais, pelos parâmetros da pesquisa da época. Na minha opinião, é um tema muito pouco falado nos meios de comunicação de que dispomos. Eu chamaria de tabu o assunto bissexualidade. Esse comportamento, esses quereres, com certeza dão um nó na mente de qualquer um. Não é um desvio comportamental, não é ser hétero, não é ser gay.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por deixar seu recadinho,em breve responderei!

bjs